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Não sei absolutamente nada sobre o que sacia a fome dos justos.

Foram longos anos para perder qualquer lembrança de pureza. Tornei-me o vilão adequado pra qualquer história que ousar brotar de minha cabeça.

O espaço que resido é um passo antes de uma barreira imóvel e inabalável de educação, que me impede de confiar que devo existir no espaço de qualquer outra pessoa, por melhor que sejam minhas palavras ou mais puras sejam minhas ideias. Não sinto rancor ou pesar e aceito o caminhar das coisas como justo. Simplesmente tornei-me receoso o suficiente para saber que meu engasgo não reside apenas na garganta, mas também na cabeça e peito.

Vejo ainda com clareza, talvez mais do que nunca - como uma piada trágica e persistente - a beleza e a felicidade da vida. entendo o pesar e a tristeza de cada decepção ou perda e realmente crio empatia por todos aqueles que por algum motivo se distanciam um centímetro que seja do caminho desejado. Do mesmo modo aprecio e me inspiro com todo e qualquer exemplo de sonho concretizado, desejo saciado, sorriso imprimido.

Contudo me sinto caminhando para a direção oposta da vida, como quem entorpeceu em uma ideia fixa e tenebrosa. Sem saber qual é meu lugar,  me entrego as palavras. Boas ou ruins, delicadas ou impiedosas. Me entendo como intragável, indigesto, verborrágico diante de um imbróglio que para mim mesmo se desenha insolúvel, facilmente resolvível seja com um soco na cara, ou como com um beijo sem fim.

Enfim, de qualquer vida, me ausento.

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