Na ponta de cada dente de minha boca guardo fúria e rancor.
Em cada músculo adormecido de meu corpo agora cansado, guardo força e tensão. Algo pulsando com um desejo inconcebível romper como uma represa falha, sem qualquer controle, e destruir tudo que tiver a infeliz ideia de se colocar na minha frente.
Fraquejo, e percebo a tolice de minhas palavras quando vejo que esse pulsar é reflexo de meramente estar vivo, e toda minha revolta não tem alvo. São apenas as extremidades de minha própria capacidade de criar sendo obrigadas a se manterem restritas por tempo demais.
Pulso. Ainda assim ouso pulsar, com a respiração ofegante de quem sabe que pode dar muito mais de seu próprio sangue. Como alguém que deveria simplesmente esquecer o cansaço e seguir os dias sem qualquer esperança de recompensa ou retorno.
Que aceite ser o animal de si mesmo, temente a Deus. E tal como qualquer outra criatura viva, aceite os limites que foram dados por seu criador. Que não tente ser poderoso ou ostentar qualquer qualidade especial.
Para que no fim, seja ele qual for, eu apenas tenha humildade de reconhecer que é fútil o desejo de ser diferente. Que se reconhecer como pequeno é difícil, mas é suficiente. E que na simplicidade, exista a possibilidade de honrar ao criador com boa conduta e clemência.
Que aceite ser o animal de si mesmo. E que aprenda a se domar.
Para que o pior de si mesmo se torne força pra lutar. E o que houver de melhor em sua alma seja nobre o suficiente para poder ser um presente aos que ama.
Que exista prudência em seu desejo e amor em seus atos.
Reze pobre homem, você precisa rezar.
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