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Das coisas mais belas que consigo me recordar, posso enumerar qualidades frívolas que apenas fariam um caminho descritivo ao redor de sua verdadeira essência.

Pouco importa ao fim como entendo aquilo que aprecio, se a verdadeira graça da criação de Deus está no material abstrato e inacessível da pureza de sua criação.

Que sua prova está em cada demonstração simples e irrevogável de verdade, que se impõe, em gestos simples como o que nasce inexplicavelmente de um beijo devido.

Não qualquer beijo nascido do desejo de ter, não de qualquer vontade de se satisfazer, mas dos descuidos que nascem do inesperado. De uma amizade recíproca, de um bem querer sincero.

Ainda assim, me atrevo a guardar na memória o que agora me inquieta. Por mais irrelevante que seja ao fim o trabalho de consolidar na memória cada detalhe, me permito brincar de sorrir desconcertado apenas por recordar.

Que foi de verdade, que conheci seu nome. Vi seu cuidado em cada pequena decisão. Seu respeito a família, seu respeito a sua condição no momento que ainda era comprometida. Sua consideração ao que já havia perdido, seu carinho ao que era inevitável perder.

O peso leve que emprega mesmo nas lembranças mais pesadas. A precisão que descreve o incômodo diante dos atritos que viveu. O sorriso livre, imponente e o qual ainda não consigo imaginar como seria possível conte-lo, contrastam agora com a lembrança dos momentos em que seu olhar se perdeu em pensamentos distantes.

Parece forte, mesmo que pequena, em todos os momentos. E sim eu sei que tudo isso eu a roubei, sem pedir permissão de poder guardar tudo que eu pudesse ter como lembrança. Tudo que posso fazer é prometer que não farei mal uso.

E que caso me chame pra perto, devo corresponder ponderado. Com calma o suficiente pra saber que seria apenas uma tentativa de dar certo caso, por alguma loucura, decida me permitir. E com responsabilidade o suficiente de saber ouvir caso, como em um sonho, me peça pra surpreende-la e nunca decepciona-la.

Meus olhos brilham, como de um animal débil. Enfatizo palavras tolas para emular um texto que seja bonito, nem que seja para elogiar a altura a graça dessa amizade, e a responsabilidade de não ser mesquinho, tolo ou me deixar consumir por vontades.

Mesmo que pareça, por aqui guardar palavras bonitas, torço para que se por algum motivo esse cuidado for visto, que seja reconhecido como nada mais que um bem querer, ousado, tentando flertar com um sentimento tão desconcertante.

Queria poder dizer perto, o que agora apenas percebo distante: Não que eu ache que não sabe, mas parece ainda mais linda quando fecho meus olhos.

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