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Meus dois centavos sobre ser "lesado".

Não, não é nobre esconder o fato. É fraqueza, é desonesto, é quase digno de ojeriza. Também não é missão alguma deixar claro a todos sobre seus problemas, tal como ninguém precisa ver qualquer "handicap" como limitação.

É como ter uma pinta, é como não ter uma perna. É algo que não tem tamanho definido mas tá ali, contigo, e nem sempre é físico.

É como seu nome, ou como onde mora. Contra sua vontade já fez sua marca. Ao passar da sua vida você simplesmente cresce, com aquela coisa tendo te influenciado positivamente ou negativamente, na grande maioria das vezes ambos.

No fim das contas é uma massa amorfa incômoda ali, presente, te pressionando pra algum canto, ou te incomodando o suficiente para as vezes não ter posição confortável. Sabe como é? Bem, crianças costumam não saber.

Nisso não aprendem a escrever direito. Não descobrem a diferença de um V e um F até a quarta série. Se formam no ensino médio sem saber uma fórmula de física, e recebe nota baixa toda vez que deixa escrito uma fórmula ao contrário que foi o único jeito de tu deduzir aquilo.

Te deixa distante dos amigos quando tu não se interessa por ter namoradas. Te deixa distante da sua família quando você não consegue dizer porque não consegue abraçar alguém. Te deixa distante de ser uma pessoa "menos esquisita" porque você acaba ou sendo lento demais ou rápido demais dependendo da situação.

Não te deixa interessante por não estar nas festas. Não te deixa experiente porque você tem medo de entrar no espaço dos outros. Não te faz conseguir pegar seu dinheiro e gastar em algo porque você tem medo de fazer algo errado e depois precisar.

Você aprende no fim das contas a ter medo de quase tudo, e ao mesmo tempo, a prestar atenção obsessiveness em tudo, absolutamente tudo, porque alguma coisa pode ser importante, e se for importante, você vai ter que fingir ser qualquer coisa: menos você. E agir como decorou que deve agir.

E a mentir.

Porque no fim das contas as pessoas preferem não perder tempo com todo esse rodeio, com textos longos e com vidas inteiras cheias de perda de tempo com coisas banais que qualquer um tirou de letra só por ter nascido direito.

Alguns nascem meio tortos. O que não faz se tornar algo direito mentir.

Dai a gente cresce. Mais ou menos esperto. E descobre que virou um bixo estranho. E vai envelhecendo, perdendo a fé de que fez algo direito.

No fim das contas: Importa?

Pra ninguém importa. Principalmente se você não falar. E mesmo que fale, vai importar por pouco tempo. Pra você, importou a vida inteira, e é quase tudo que você tem.

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