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No dia de hoje me levo a pensar qual é o peso físico que as memórias podem ter. Parece irônico querer materializar uma lembrança, peço perdão a quem quer que possa achar isso absurdo, mas realmente confio, nem que seja apenas nesse momento, que existe sim um peso material acumulado.

Fui forçado a pensar no que é uma perda, e na violência que uma perda próxima pode realmente te arrancar algo precioso. Seja sua inocência, sua pureza, ou até mesmo sua frágil concepção de segurança. Mais do que isso te arranca um pedaço metafísico de si mesmo, te forçando a reconstruir algo aos pedaços. O trabalho de reconstruir só não é mais penoso do que a obrigação de faze-lo.

Por hoje, sinto, de forma quase indescritível, que me falta.

De um lado, me falta companhia. Como a anos não sentia, talvez como nunca, me senti só. Senti falta de alguém perto, nem que seja pra me agredir, pra me levar pra um destino ruim qualquer, pra um pensamento repulsivo, pra me contaminar com ódio. Qualquer coisa possível e acessível independente se este algo for desprezível.

Digo isso porque tenho sim, também na memória, a certeza de que em algum universo paralelo qualquer eu também deveria aceitar trilhar um caminho que me leve a algum carinho que eu admita, aos braços de alguém que consiga me amar, ou a um ponto onde eu possa me calar e simplesmente aceitar que o mundo não é apenas algo simplesmente duro.

Por outro lado, me falta conforto. Paz no espírito pra esquecer as expressões antagônicas que agora vagam livremente na minha memória e me tiram toda calma que eu poderia querer ter. Seja o rosto enfurecido de alguém que acabou de perder alguém querido, seja a cara inexoravelmente livre, crua e absurdamente linda de alguém completamente inacessível, distante, fora de alcance.

Dentro de mim vagam o desejo de fugir da realidade e poder esquecer, ao mesmo tempo que um desejo mil vezes mais incômodo, o de ser fiel, e lutar por um bem que, talvez estatisticamente seja irrelevante, o bem de uma pessoa dentre tantas, mas que pra mim, possa ser um bem absoluto, de apenas uma pessoa que justifique um motivo irrevogável para querer todos os dias algo melhor.

Sinto, e talvez só me reste essa opção: sentir. Pois sinto que é tarde demais. E que do ponto que estou, tudo apenas será uma imagem imperfeita gerada através de lentes que por vezes demais se quebraram.

Rezo.

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